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Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Novembro 30, 2007 · Deixe um comentário

- Bem, Dumbledore diz que sim – respondeu ele, abotoando o colarinho de sua capa listrada -, mas nunca o encontramos. Se quer saber, ele não é perigoso a não ser que consiga apoio, por isso é que devemos nos preocupar com Black. Então, o senhor divulgará aquele aviso? Excelente. Bem, espero que não tornemos a nos ver, Primeiro-Ministro! Boa-noite.

Mas eles tornaram a se ver. Menos de um ano depois, um Fudge atormentado se materializara na sala do gabinete ministerial para informar ao Primeiro-Ministro que tinha havido um probleminha na Copa do Mundo de Catrebol (ou pelo menos fora isso que entendera), em que vários trouxas tinham sido “envolvidos”, mas que o Primeiro-Ministro não se preocupasse, o fato de que Você-Sabe-Quem fora mais uma vez avistado nada significava. Fudge estava seguro de que era um incidente isolado, e a Seção de Ligação com os Trouxas já estava fazendo as alterações de memória necessárias naquele mesmo instante.

- Ah, e ia me esquecendo – acrescentou Fudge. – estamos importando três dragões estrangeiros e uma esfinge para o Torneio Tribruxo, uma operação rotineira, mas o Departamento para regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas diz que, segundo as normas, temos de informá-los quando trazemos animais perigosos do exterior.
- Eu..que…dragões? – gaguejou o Primeiro-Ministro.
- É, três – disse Fudge. – E uma esfinge. Bem, um bom dia para o senhor.

O Primeiro-Ministro tivera a inútil esperança de que os dragões e o esfinge fossem o pior, mas não. Menos de dois anos depois, Fudge irrompera pela lareira, dessa vez, com a notícia de que houvera uma fuga em massa de Azkaban.

- Uma fuga em massa? – repetira o Primeiro-Ministro roucamente.
- Não precisa se preocupar, não precisar se preocupar! – bradara Fudge, já com um pé nas chamas. – Vamos recapturá-los sem perda de tempo…só achei que o senhor devia saber!

E, antes que o Primeiro-Ministro tivesse tempo de gritar: “Espere um instante!”, Fudge se fora em uma chuva de fagulhas verdes.

Seja o que for que a imprensa e a oposição pudessem dizer, o Primeiro-Ministro não era tolo.

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Harry Potter e a Pedra Filosofal

Novembro 23, 2007 · Deixe um comentário

Na verdade, era quase meia-noite quando o gato se mexeu.

Um homem apareceu na esquina que o gato estivera vigiando. Apareceu tão súbita e silenciosamente que se poderia pensar que tivesse saído do chão. O rabo do gato se mexeu ligeiramente e seus olhos se estreitaram. Ninguém jamais vislumbrara nada parecido com este homem na rua dos Alfeneiros. Era alto, magro e muito velho, a julgar pelo prateado dos cabelos e de sua barba, suficientemente longos para prender no cinto. Usava vestes longas, uma capa púrpura que arrastava pelo chão e botas com saltos altos e fivelas. Seus olhos azuis eram claros, luminosos e cintilantes por trás dos óculos em meia-lua e o nariz muito comprido e torto, como se o tivesse quebrado pelo menos duas vezes. O nome dele era Alvo Dumbledore.

Alvo Dumbledore não parecia ter consciência de que acabara de pisar numa rua onde tudo, desde o seu nome às suas botas era malvisto. Estava ocupado apalpando a capa, procurando alguma coisa. Mas parecia ter consciência de que estava sendo vigiado, porque ergueu a cabeça de repente para o gato, que continuava a fixá-lo da outra ponta da rua. Deu uma risadinha e murmurou: “Eu devia ter imaginado.”

Encontrou o que procurava no bolso interior da capa. Parecia um isqueiro de prata. Abriu-o, ergueu-o no ar e o acendeu. O lampião da rua mais próximo apagou-se com um estalido seco. Ele o acendeu de novo – o lampião seguinte piscou e apagou, doze vezes ele acionou o “apagueiro”, até que as únicas luzes acesas na rua toda eram dois pontinhos minúsculos ao longe – os olhos do gato que o vigiava. Se alguém espiasse pela janela agora, até a Sra. Dursley, de olhos de contas, não conseguiria ver nada que estava acontecendo na calçada. Dumbledore tornou a guardar o “apagueiro” na capa e saiu caminhando pela rua em direção ao número quatro, onde se sentou no muro ao lado do gato. Não olhou para o bicho, mas, passado algum tempo, dirigiu-se a ele.

- Imagine encontrar a senhora aqui, Profa. Minerva McGonagall.

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