Assim, os favoritos e os candidatos à reeleição levantam muito mais fundos do que os que têm menos chances de vencer. E quanto ao gasto desse dinheiro? Obviamente, os favoritos e os candidatos à reeleição dispõem de mais numerário, mas só o gastam quando se vêem diante de um risco real de derrota, pois que sentido faz detonar uma poupança que poderá ser mais útil no futuro, quando um candidato mais forte aparecer?
Imaginemos agora dois candidatos: um intrinsecamente atraente e outro nem tanto. O candidato atraente arrecada muito mais dinheiro e vence com facilidade. Mas terá sido o dinheiro o responsável por lhe conseguir votos, ou terá sido seu charme o resposável pelos votos e pelo dinheiro?
Eis uma pergunta crucial, mas muito difícil de responder. Afinal, charme de candidato é difícil de quantificar. Como poderíamos medi-lo?
Na verdade não podemos, salvo em uma circunstância especial. A dica é comparar um candidato a…si próprio, ou seja, o Candidato A de hoje provavelmente será igual ao Candidato A de daqui a dois ou quatro anos. O mesmo se aplica ao Candidato B. Basta que o Candidato A dispute com o Candidato B duas eleições consecutivas, porém gastando quantias diferentes em cada uma delas. Nesse caso, sendo mais ou menos constante o charme do candidato, poderíamos medir o impacto do dinheiro.
Com efeito, os mesmos dois candidatos concorrem um contra o outro em eleições consecutivas o tempo todo – para ser exato em quase mil campanhas para o Congresso americano desde 1972. O que dizem os números nesses casos?
Aqui está a surpresa: o volume de dinheiro gasto pelos candidatos praticamente não faz diferença. Um candidato vencedor pode cortar pela metade seu gasto e perder apenas 1% dos votos. Enquanto isso, um candidato derrotado que dobre seu gasto não conseguirá aumentar sua votação senão em percentual idêntico a esse.
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