- Vamos, continue. Continue, Johnny, isso é o que você realmente quer.
Johnny Fontane levantou-se. Odiava a mulher que estava no chão, mas sua beleza era um escudo mágico de proteção. Margot rolou no solo, e num salto de dançarina pôs-se de pé à frente dele, começando a executar uma espécie de dança infantil zombeteira e cantando: “Johnny nunca me machucou, Johnny nunca me machucou”.
- Seu patético idiota – disse depois, quase tristemente -, castigando-me como uma criança. Ah, Johnny, você será sempre um bichinho bem romântico, você até ama como uma criança. Ainda pensar que trepar com uma mulher é o mesmo que cantarolar aquelas cantigas enjoadas que você costumava cantar. – Balançou a cabeça e arrematou: – Pobre Johnny. Adeus, Johnny.
Encaminhou-separa o quarto de dormir, e ele a ouviu girar a chave da fechadura.
Johnny sentou-se no chão com o rosto entre as mãos. O desespero doentio e humilhante dominou-o completamente. E, então, a firmeza sórdida que o ajudara a sobreviver na selva de Hollywood o fez pegar o telefone e chamar um táxi, para levá-lo ao aeroporto. Só havia uma pessoa capaz de salvá-lo. Voltaria para Nova York. Voltaria para o único homem que tinha o poder, a sabedoria de que ele necessitava e um amor no qual ele acreditava. O seu Padrinho Corleone.
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