- Eu poderia usar outro bruxo – disse a primeira voz, baixinho -, é verdade…
- Milorde, faz sentido – disse Rabicho, parecendo muito mais aliviado -, pôr as mãos em Harry Potter seria tão difícil, ele está tão bem protegido…
- E então você se oferece para ir buscar um substituto? Estranho…talvez a tarefa de cuidar de mim tenha se tornado cansativa para você, Rabicho? A sugestão de abandonar o plano não seria apenas uma tentativa de me abandonar?
- Milorde! N…não tenho nenhum desejo de deixá-lo, absolutamente nenhum…
- Não minta para mim! – sibilou a segunda voz. – Sempre percebo, Rabicho! Você está arrependido de ter voltado para mim. Eu o horrorizo. Vejo você fazer careta quando olha para mim, sinto você estremecer quando me toca…
- Não! Minha devoção a milorde…
- Sua devoção não passa de covardia. Você não estaria aqui se tivesse aonde ir. Como posso sobreviver sem você, quando preciso que alguém me alimente a intervalos regulares? Quem vai ordenhar Nagini?
- Mas o senhor parece tão mais forte, milorde…
- Mentiroso – sussurou a segunda voz. – Não estou mais forte e uns poucos dias sozinho seriam suficientes para me roubar a pouca saúde que recuperei com seus cuidados desajeitados. Silêncio!
Rabicho, que estivera resmungando incoerentemente, calou-se na mesma hora. Durante alguns segundos, Franco não ouviu nada exceto o crepitar do fogo. Então o segundo homem recomeçou a falar, num sussuro que era quase um silvo.
- Tenho minhas razões para usar o garoto, como já lhe expliquei, e não vou usar mais ninguém. Esperei treze anos. Mais uns meses não farão diferença. Quanto à proteção que rodeia o garoto, creio que meu plano funcionará.
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